quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Democracia: O termo democracia tem origem no antigo grego e é formada a partir dos vocábulos demos (“povo”) e kratós (“poder”, “governo”). O conceito começou a ser usado no século V a.C., em Atenas. Actualmente, a democracia é considerada uma forma de organização de um grupo de pessoas, onde a titularidade do poder reside na totalidade dos seus membros. Como tal, a tomada de decisões responde à vontade geral. Na prática, a democracia é uma forma de governo e de organização de um Estado. Através de mecanismos de participação directa ou indirecta, o povo elege os seus representantes. Diz-se que a democracia é uma forma de convivência social em que todos os habitantes são livres e iguais perante a lei, e as relações sociais estabelecem-se segundo mecanismos contratuais. As classificações de governo realizadas por Platão e Aristóteles ainda se mantêm na sua essência. A monarquia é o governo de uma pessoa, ao passo que a democracia é a forma de governo “da multidão” (Platão) ou “dos mais” (Aristóteles).
 
Autoritarismo: Autoritarismo Denomina-se autoritarismo a uma atitude em que as pessoas dependentes devem cumprir com todas as normas impostas pelo simples fato de que a pessoa que impõe estabelece alto grau de autoridade sobre a outra. O autoritarismo se coloca com o conceito de autoridade, uma vez que ela se baseia no fato de tomar decisões em relação a um bem comum e que se refere às pessoas subordinadas. Por outro lado, a pessoa autoritária carece de empatia e valorização pela pessoa responsável. A partir desta perspectiva, pode-se dizer que o autoritarismo se opõe ao verdadeiro líder e apresenta uma visão distorcida. Na verdade, um líder é seguido porque gera bem-estar nas pessoas que o rodeiam e porque há demanda para isso. Na história da humanidade são muitos os exemplos onde o governo autoritário tomou medidas que tiveram consequências drásticas, não só para os outros, mas também para o próprio governo.
Podemos dizer o autoritarismo sempre existiu, especialmente no passado, onde uma determinada autoridade civil parecia exercer o poder extremo. Com o passar do tempo, no entanto, este tipo de organização política evoluiu até chegar às democracias modernas. É certo que algumas das origens da democracia já existiam no passado, em particular na Grécia antiga, mas foi a partir das democracias republicanas atuais que se conseguiu frear o poder, o que significaria um mau uso desta qualidade. Na verdade, as sociedades modernas primam o fato de que a autoridade é uma forma de serviço para os outros e em caso desse critério no ser respeitado, deveria ser deposto num período de tempo correspondente, seja por uma simples eleição popular ou pela possibilidade de realizar um julgamento de natureza política.

Totalitarismo : Totalitarismo é uma ideologia, caracterizada por uma forma de governo totalitário, ou seja, na qual os dirigentes da nação detêm o total controle sobre os direitos das pessoas em proveito da razão de Estado.
A liberdade de religião também não existe em um Estado totalitarista, pois só permite a existência daquelas Igrejas cujos ministros cooperem com o governo. Sindicatos livres também são ilegais.
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    Imperialismo: Imperialismo é uma política de expansão e domínio territorial, cultural e econômico de uma nação sobre outras.
    Os primeiros exemplos de imperialismo como política de expansão territorial são o Egito Antigo (estado Hitita), Macedônia, Grécia e o Império Romano. Mais tarde, na Idade Média, os Turcos e o Islão foram grandes potências imperialistas.
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    Liberalismo: O liberalismo é uma doutrina político-econômica e sistema doutrinário que se caracteriza pela sua atitude de abertura e tolerância a vários níveis. De acordo com essa doutrina, o interesse geral requer o respeito pela liberdade cívica, econômica e da consciência dos cidadãos.
    O liberalismo surgiu na época do iluminismo contra a tendência absolutista e indica que a razão humana e o direito inalienável à ação e realização própria, livre e sem limites, são o melhor caminho para a satisfação dos desejos e necessidades da humanidade. Este otimismo da razão exigia não só a liberdade de pensamento mas também a liberdade política e econômica.
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    Neoliberalismo: Neoliberalismo é uma redefinição do liberalismo clássico, influenciado pelas teorias econômicas neoclássicas e é entendido como um produto do liberalismo econômico clássico.
    O neoliberalismo pode ser uma corrente de pensamento e uma ideologia, ou seja, uma forma de ver e julgar o mundo social ou um movimento intelectual organizado, que realiza reuniões, conferências e congressos.
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    Socialismo: Socialismo é uma doutrina política e econômica que surgiu no final do século XVIII e se caracteriza pela ideia de transformação da sociedade através da distribuição equilibrada de riquezas e propriedades, diminuindo a distância entre ricos e pobres.
    Noël Babeuf foi o primeiro pensador que apresentou propostas socialistas sem fundamentação teológica e utópica como alternativa política. Karl Marx, um dos principais filósofos do movimento, afirmava que o socialismo seria alcançado a partir de uma reforma social, com luta de classes e revolução do proletariado, pois no sistema socialista não deveria haver classes sociais nem propriedade privada.
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    Absolutismo: Absolutismo é um regime político em que apenas uma pessoa exerce poderes absolutos, amplos poderes, onde só ele manda, geralmente um rei ou uma rainha. Absolutismo foi um período entre os séculos 16 e 18, e começou na Europa.
    Através do absolutismo os monarcas tinham o poder para criar leis sem aprovação da sociedade e de criar impostos e tributos que financiassem seus projetos ou guerras. Muitas vezes, um Rei absoluto se envolvia em temas religiosos, chegando muitas vezes a controlar o cler
     
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    Direitos humanos: Direitos humanos são os direitos e liberdades básicas de todos os seres humanos. Seu conceito também está ligado com a ideia de liberdade de pensamento, de expressão, e a igualdade perante a lei. A ONU proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que é respeitada mundialmente. A Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas afirma que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos, dotados de razão e de consciência e devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.
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    Cidadania: Cidadania é o exercício dos direitos e deveres civis, políticos e sociais estabelecidos na constituição. Uma boa cidadania implica que os direitos e deveres estão interligados, e o respeito e cumprimento de ambos contribuem para uma sociedade mais equilibrada.
    Exercer a cidadania é ter consciência de seus direitos e obrigações e lutar para que sejam colocados em prática. Exercer a cidadania é estar em pleno gozo das disposições constitucionais. Preparar o cidadão para o exercício da cidadania é um dos objetivos da educação de um país
     
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    Marxismo: Marxismo é um sistema ideológico que critica radicalmente o capitalismo e proclama a emancipação da humanidade numa sociedade sem classes e igualitária.
    As linhas básicas do marxismo foram traçadas entre 1840 e 1850 pelo filósofo social alemão Karl Marx e o revolucionário alemão Friedrich Engels, sendo o sistema mais tarde completado e modificado por eles e por seus discípulos, entre eles, Trotsky, Lenine e Stalin.
    No ano de 1848, Karl Marx e Friedrich Engels publicam o Manifesto Comunista, onde fazendo uma análise da própria realidade em que viviam chegaram a algumas conclusões acerca do trabalho, da propriedade, das relações produtivas e principalmente a violenta exploração do proletariado. Neste contexto, Max e Engels propõem a luta pelo fim do capitalismo com a adição imediata do socialismo, onde as massas trabalhadoras possuindo os meios de produção assumiriam o poder político e econômico.
    O Marxismo tornou-se um dos movimentos intelectuais e políticos mais influentes da sociedade contemporânea. Ainda em vida, Marx participou da criação da Associação Internacional dos Trabalhadores (1864), conhecida por Primeira Internacional, reunindo trabalhadores de vários países europeus e dos EUA.
    O Marxismo ou Socialismo Marxista embora promovesse congressos e cooperação operária, teve curta duração, vindo a dissolver-se em 1876, devido à repressão sofrida e às divergências internas. Apesar disto, novas organizações operárias e partidos políticos se destacaram, entre eles o Partido Social Democrata, fundado na Alemanha por Wilhelm Liebknecht e August Bebel.
    Foi na Rússia, que o Socialismo Marxista teve maior repercussão, serviu de inspiração para o Partido Operário Social Democrata Russo e fundamentou a criação do primeiro Estado Socialista, em 1917, dividindo o mundo em Capitalista de um lado e Socialista do outro.
    Liberalismo O liberalismo se constituiu na ideologia predominante na sociedade ocidental no século XIX, que preconizava a libertação do homem de todas as formas de coerção e opressão consideradas injustas, a elevação e utilização do valor da pessoa humana para os benefícios próprios e o da sociedade.
    O liberalismo desenvolveu-se como expressão dos ideais da burguesia, que justificava, através dele e da Democracia, sua situação socioeconômica e suas aspirações políticas. Vivia-se o apogeu da sociedade liberal, que via todas as possibilidades de aumentar seus lucros e o proletariado sentia-se fortalecido para lutar por uma vida mais humana, mais justa.
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    Utopia: Utopia é a ideia de civilização ideal, fantástica, imaginária. É um sistema ou plano que parece irrealizável, é uma fantasia, um devaneio, uma ilusão, um sonho. Do grego “ou+topos” que significa “lugar que não existe”.
    No sentido geral, o termo é usado para denominar construções imaginárias de sociedades perfeitas, de acordo com os princípios filosóficos de seus idealizadores. No sentido mais limitado, significa toda doutrina social que aspira a uma transformação da ordem social existente, de acordo com os interesses de determinados grupos ou classes sociais.
    Utopia foi um país imaginário, criação de Thomas Morus, escritor inglês (1480-1535), onde um governo, organizado da melhor maneira, proporciona ótimas condições de vida a um povo equilibrado e feliz.
    Para Thomas More, utopia era uma sociedade organizada de forma racional, as casas e bens seriam de todas as pessoas, que passariam seu tempo livre envolvidos com leitura e arte, não seriam enviados para a guerra, a não ser em caso extremo, assim esta sociedade viveria em paz e em plena harmonia de interesses.
     
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    Ideologia: Ideologia, em um sentido amplo, significa aquilo que seria ou é ideal.
    Este termo possui diferentes significados, sendo que no senso comum é tido como algo ideal, que contém um conjunto de ideias, pensamentos, doutrinas ou visões de mundo de um indivíduo ou de determinado grupo, orientado para suas ações sociais e políticas.
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    Fundamentalismo religioso: O fundamentalismo religioso é um fenômeno caracterizado pela cultura e que pode nominalmente ser influenciada pela religião dos partidários. O termo pode também se referir especificamente à convicção de que algum texto ou preceito religioso considerado infalível, ainda que contrários ao entendimento de estudiosos modernos. Grupos fundamentalistas religiosos frequentemente rejeitam o termo por causa das suas conotações negativas ou porque insinua semelhança entre eles e outros grupos cujos procedimentos acham censuráveis.


  • 5-) Em política os fins justificam os meios?
    Já dizia o famoso e tão atual filósofo Nicolau Maquiavel (1469-1527) em sua obra "O Príncipe "os fins justificam os meios". Este filósofo transformou o olhar sobre a política. Ao nosso enxergou uma política técnica e eficiente em relação a manutenção do poder.

    Com certeza vocês já ouviram falar naquela expressão quando alguém faz algo maldoso: "Você é maquiavélico". O conceito Maquiavélico veio do sobrenome de Nicolau, em razão de suas obras. Há uma maneira errônea de interpretar Nicolau Maquiavel como sendo um filósofo que afirmava que alguém que exerce um poder governamental deve agir como um carrasco, um imoral, um aproveitador, um ganancioso, enfim, tudo aquilo que exclui a virtude. Essa visão é uma análise superficial sobre suas ideias.

    Para Maquiavel, a importância política se consolida na potencialidade de garantir a unidade, a ordem, a segurança e a prosperidade de uma comunidade. Se para conseguir isso o político precisa ser tirano, ganancioso ou imoral, Maquiavel defende esses atributos. Dessa forma podemos ver que Maquiavel não defende necessariamente um governante imoral. Para ele, se esse atributo contribuir para a unidade política, é importante que continue, como também, se numa determinado governo, para garantir a unidade política o governante precise ser moral, continue sendo moral. Não importa como se chega nessa unidade política, desde que se chegue nela (os fins justificam os meios).
    A diferença é que o objetivo proposto por Maquiavel na qual consiste na unidade política de uma comunidade, é mudado para uma busca totalmente voltada para o alcance do poder, ou seja, se para que que eu consiga o poder eu precise fazer coisas (boas ou más), eu farei (os fins justificam os meios).

    Existem políticos que para conseguir ou manter o poder rompem com amizades que um dia foram verdadeiras; mudam de caráter como se mudassem de roupas; criam "faxadas" permanecendo com as esposas para garantir a imagem de uma pessoa de família; carregam bebês que nunca mais voltaram a vê-las; tomam café em padarias populares; abraçam pobres e consola os aflitos.

    Maquiavel diz que o político não precisa ser bom, mas apenas parecer bom. Dessa maneira as qualidades morais se tornam simples instrumentos na luta pelo poder e no sucesso político
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                            O homem como ser político    
    TEXTO 1:
     
    Para Aristóteles, o Homem é um "animal político", pois somente ele possui a linguagem e esta é o fundamento da comunicação entre os seres humanos. Segundo seu ponto de vista, os demais animais só exprimem dor e prazer, mas o Homem utiliza a palavra (logos) e com isso sua capacidade de julgamento entre o bem e o mal, o certo e o errado. Na busca de interpretação da realidade social, devemos levar em consideração também a capacidade de atuação do Homem sobre a natureza e a sua consequente criação de novas condições de existência, como fundamentais para compreendermos o desenvolvimento da comunicação na sociedade.
    O nosso cotidiano é marcado por inúmeras ações que nos permeiam diante de múltiplas relações. As diversas conexões que se estabelecem no mundo vivido por meio de normas foram criadas com o objetivo de estabelecer uma linguagem comum em que os indivíduos socializados trocassem experiências. A comunicação se insere como importante fator para analisarmos a produção dos discursos que desembocam nos (des)caminhos da humanidade.
    Se até bem pouco tempo os homens utilizavam o discurso direto para se comunicar e meios muito limitados e lentos para uma comunicação à distância, vimos surgir no século XX os poderosos e rápidos meios
    de comunicação de massa (jornal, rádio, TV...) e hoje, com a informática e

    a Internet, de fato o mundo se transformou numa "aldeia global" e constituímos, assim, uma "sociedade informática". Mas uma grande questão se coloca: os poderosos meios de comunicação e transmissão de dados de que dispomos, até mesmo num simples celular, estão realmente possibilitando uma maior participação democrática da maioria, ou nos tornamos personagens e reféns de um terrível e incontrolável "Big Brother"?
     
     
      
    TEXTO 2 :
     
    Partindo da Ética chegamos ao pensamento político de Aristóteles, para tal filósofo, o homem é um animal político por natureza. Assim sendo, o homem não deve ignorar a coletividade privilegiando interesses particulares. Aristóteles observa que o homem é um ser que necessita de coisas e dos outros, sendo, por isso, um ser carente e imperfeito, buscando a comunidade para alcançar a completude. E a partir disso, ele deduz que o homem é naturalmente político. Além disso, para Aristóteles, quem vive fora da comunidade organizada (cidade ou Pólis) ou é um ser degradado ou um ser sobre-humano (divino).
     
    Aristóteles acredita que "Aquele que é naturalmente um marginal ama a guerra e pode ser comparado a uma peça fora do jogo. Daí a evidência de que o homem é um animal político mais ainda que as abelhas ou que qualquer outro animal gregário. Como dizemos frequentemente, a natureza não faz nada em vão; ora, o homem é o único entre os animais a ter linguagem. (...) Trata-se de uma característica do homem ser ele o único que tem o senso do bom e do mau, do justo e do injusto, bem como de outras noções deste tipo. É a associação dos que têm em comum essas noções que constitui a família e o Estado".

    quarta-feira, 3 de junho de 2015


    4-a)Qual o tema desse texto do sociólogo José Souza Martins?
     O tema do texto de José Souza Martins fala sobre o nheengatu, o dialeto causa uma dúvida que o inconsciente das pessoas sabiam visto que esta presente na cultura e no discurso verbal presente na sociedade citada. Logo, o sociólogo nos faz pensar que a cultura esta em nossa sociedade e nos pertence já que nosso aprendizado depende da mesma.
     
     4-b) O que é nheengatu? O texto permite saber o significado da palavra?
     O nheengatu, também conhecido como nhengatu, nhangatu, inhangatu, língua geral amazônica, língua brasílica, tupi, língua geral, nenhengatu e tupi moderno, é uma língua derivada do tronco tupi. Pertence à família linguística tupi-guarani. O nheengatu surgiu no século XIX, como uma evolução natural da língua geral setentrional, em um desenvolvimento paralelo ao da língua geral paulista, que acabou se extinguindo. Até o século XIX, foi veículo da catequese e da ação social e política luso-brasileira na Amazônia, sendo mais falada que o português no Amazonas e no Pará até 1877.Atualmente, continua a ser falado por aproximadamente 8 000 pessoas na região do vale do Rio Negro. No texto é possível entender o que a palavra significa através do contexto.
    5-) Expliquem e exemplifiquem sobre: signo, significante e significado.
     O signo é o resultado de significado mais significante.Signo = significado + significante
    Significado: conceito
    Significante: forma gráfica + som
    Toda palavra que possui um sentido é considerada um signo linguístico.
    Exemplo:
    “Livro” é um signo linguístico.
    Quando observamos o signo “livro” percebemos que ele é a união de som, conceito e escrita, ou seja, significado e significante.
    6-) -
    7-)Demonstre a seguinte afirmação " OS LIMITES DA MINHA LINGUAGEM SIGNIFICAM OS LIMITES DO MEU MUNDO"
     Tudo o que sei é aquilo para que tenho palavra!
    A linguagem não é capaz de restringir a nossa imaginação e pensamentos, mas pode impedir-nos de exteriorizarmo-los, limitando o nosso mundo. A única maneira de criar coisas novas no mundo é através da nossa expressão, seja por linguagem oral, gestos ou imagens. E caso essa nossa capacidade for limitada, não poderemos mais perceber as coisas do mundo, não poderemos nomear as coisas todas do mundo. O mundo humano é uma representação nossa, daí os valores econômicos, sentimentais e morais, daí todas as ciências.

    quarta-feira, 6 de maio de 2015

     De acordo com o filósofo Mikhail Bakhtin que dedicou a vida à definição de noções, conceitos e categorias de análise da linguagem com base em discursos cotidianos, artísticos, filosóficos, científicos e institucionais a linguagem é um recurso necessário para a vida social. Segundo essa concepção, a língua só existe em função do uso que locutores (quem fala ou escreve) e interlocutores (quem lê ou escuta) fazem dela em situações (prosaicas ou formais) de comunicação. O ensinar, o aprender e o empregar a linguagem passam necessariamente pelo sujeito, o agente das relações sociais e o responsável pela composição e pelo estilo dos discursos. Esse sujeito se vale do conhecimento de enunciados anteriores para formular suas falas e redigir seus textos.
      Nessa relação dialógica entre locutor e interlocutor no meio social, em que o verbal e o não-verbal influenciam de maneira determinante a construção dos enunciados, outro dado ganhou contornos de tese: a interação por meio da linguagem se dá num contexto em que todos participam em condição de igualdade. Aquele que enuncia seleciona palavras apropriadas para formular uma mensagem compreensível para seus destinatários.
     
     
     
    Homem e Linguagem (1966) - Hans-Georg Gadamer
    1. É de Aristóteles a definição clássica do homem como o ser vivo que possui logos. Na tradição do Ocidente, essa definição foi canonizada com a forma: o homem é o animal racional, o ser vivo racional, o ser que se distingue de todos os outros animais pela capacidade de pensar. A palavra grega lógos foi traduzida no sentido de razão ou pensar. Na verdade, a palavra significa também e sobretudo: linguagem.
     
     Em certa passagem, Aristóteles estabeleceu a diferença entre homem e animal do seguinte modo: os animais têm a possibilidade de entender-se mutuamente, mostrando uns aos outros o que lhes causa prazer, a fim de poder buscá-lo, e o que lhe causa dor, a fim de evitá-lo. Aos animais a natureza só lhes permitiu chegar até esse ponto. Apenas aos homens foi dado ainda o lógos, para que se informem mutuamente sobre o que é útil ou prejudicial, o que é justo e injusto. Uma frase de sentido muito profundo. O útil e o prejudicial são o que não é desejável em si mesmo, e sim em vista de algo outro que ainda não está dado, mas motiva a sua busca. Isso expõe como característica do homem um sobrepor-se ao atual, um sentido para o futuro. E Aristóteles acrescenta depois que, com isso, também se dá o sentido para o justo e o injusto... e tudo isso porque o homem é o único ser que possui o logos. Ele pode pensar e falar. Poder falar significa: poder tornar visível, pela sua fala, algo ausente, de tal modo que também um outro possa vê-lo. O homem pode comunicar tudo que pensa. E mais: É somente pela capacidade de se comunicar, que unicamente os homens podem pensar o comum, isto é, conceitos comuns e sobretudo aqueles conceitos comuns, pelos quais se torna possível a convivência humana sem assassinatos e homicídios, na forma de uma vida social, de uma constituição política, de uma convivência social articulada na divisão do trabalho. Isso tudo está contido no simples enunciado: o homem é um ser vivo dotado de linguagem.

    1 Política, A 2, 1253 a 9s.
    Em geral supomos que essa afirmação tão significativa e convincente garantiu desde o início um lugar privilegiado ao fenômeno da linguagem no pensamento sobre a essência do homem. O que é mais convincente do que afirmar que a linguagem dos animais, se quisermos chamar assim o seu modo de entender-se, é algo muito diferente da linguagem humana, na qual representamos e comunicamos um mundo objetivo? E isso por meio de signos que não são fixos como os signos de expressão dos animais, mas variáveis, não apenas no sentido de que existem diversos idiomas, mas que, dentro do mesmo idioma, as mesmas expressões podem designar algo diferente e expressões diferentes podem designar o mesmo.

     Na verdade, a essência da linguagem não constitui o ponto central do pensamento filosófico do Ocidente. É bem verdade que sempre chamou a atenção que na história da criação, narrada no Antigo Testamento, Deus outorgou ao primeiro homem o domínio do mundo, ao lhe permitir nomear os seres do modo que melhor lhe conviesse. Também a história da Torre de Babel atesta o significado fundamental da linguagem para a vida do homem. Mesmo assim, foi justamente a tradição religiosa do Ocidente cristão que acabou paralisando de certo modo o pensamento sobre a linguagem. De fato foi só a época do Iluminismo que se colocou de maneira nova a pergunta pela origem da linguagem. Deu-se um grande passo quando se deixou de responder a questão da origem da linguagem sob a perspectiva do relato da criação, mas a partir da natureza do homem. Pois só assim tornou-se
    inevitável um passo adiante, ou seja, admitir que a naturalidade da linguagem não permite colocar a questão de um estado anterior do homem, destituído de linguagem, e conseqüentemente a questão da origem da linguagem. Herder e W. von Humboldt caracterizaram a humanidade originária da linguagem como linguagem originária do homem, desenvolvendo o significado fundamental desse fenômeno para a visão humana do mundo. A diversidade da estrutura da linguagem humana foi o campo de investigação do antigo ministro da cultura, o sábio de Tege retirado da vida pública que pela obra produzida em sua velhice tornou-se o fundador da moderna ciência da linguagem.

     A fundação da filosofia da linguagem e da ciência da linguagem por Wilhelm von Humboldt não representou, contudo, uma autêntica restauração da visão aristotélica. Como seu objeto de investigação eram os idiomas dos povos, abriu-se um caminho de conhecimento que pôde esclarecer de maneira nova e fecunda a diversidade dos povos e dos tempos e a essência humana comum a eles subjacente. Mas o que definiu aqui o horizonte da pergunta pelo homem e pela linguagem foi apenas admitir no homem uma faculdade e esclarecer o regimento estrutural dessa faculdade - que chamamos de gramática, sintaxe, vocabulário da linguagem. No espelho da linguagem, podiam se reconhecer as cosmovisões dos povos, conhecer detalhadamente a estrutura de sua cultura - um bom exemplo é o conhecimento do estágio cultural da constituição dos povos indogermânicos, que devemos às excelentes investigações de Viktor Hehns sobre plantas de cultivo e animais domésticos. A ciência da linguagem, como qualquer outra pré-história, representa a pré-história do espírito humano. Mesmo assim, nesse modo de pensar, o fenômeno da linguagem só adquire o significado de um campo de expressão eminente, no qual é possível estudar a essência do homem e sua evolução na história. Por essa via, no entanto, não é possível penetrar nos postulados centrais do pensamento filosófico. Isso porque no pano de fundo de todo pensamento moderno encontrava-se ainda a definição cartesiana de consciência como autoconsciência. Esse inabalável fundamento de toda certeza, o mais certo de todos os fatos, o fato de que conheço a mim mesmo, tornou-se no pensamento da modernidade o parâmetro para tudo que quisesse satisfazer ao postulado de conhecimento científico. Também a investigação científica da linguagem acabou apoiando-se no mesmo fundamento. Tratava-se da espontaneidade do sujeito, a qual possui uma de suas formas de confirmação na energia que forma a linguagem. Por mais fecunda que pudesse ser a interpretação dessa cosmovisão subjacente aos idiomas, feita a partir desse princípio, não é possível entrever o enigma que a linguagem propõe ao pensamento humano. Pois a essência da linguagem comporta igualmente uma inconsciência abissal da mesma. Nesse sentido, a caracterização do conceito de linguagem não é um resultado fortuito e a posteriori. A palavra logos não significa apenas pensamento e linguagem, mas também conceito e lei.

    A cunhagem do conceito de linguagem pressupõe uma consciência de linguagem. Mas isso é apenas o resultado de um movimento reflexivo, no qual o sujeito pensante reflete a partir da realização inconsciente da linguagem, colocado a uma distancia de si próprio. O verdadeiro enigma da linguagem, porém, é que isso jamais se deixa alcançar plenamente. Todo pensar sobre a linguagem, pelo contrário, já foi sempre alcançado pela linguagem. Só podemos pensar dentro de uma linguagem e é justamente o fato de que nosso pensamento habita a linguagem que constitui o enigma profundo que a linguagem propõe ao pensar.

     A linguagem não é um dos meios pelos quais a consciência se comunica com o mundo. Não representa um terceiro instrumento, ao lado do signo e da ferramenta - embora esses dois certamente façam parte da caracterização essencial do homem. A linguagem não é nenhum instrumento. nenhuma ferramenta. Pois uma das características essenciais do instrumento é dominarmos seu uso, e isso significa que lançamos mão e nos desfazemos dele assim que prestou seu serviço. Não acontece o mesmo quando pronunciamos as palavras disponíveis de um idioma e depois de utilizadas deixamos que retornem ao vocabulário comum de que dispomos. Esse tipo
    de analogia é falso porque jamais nos encontramos como consciência diante do mundo para num estado desprovido de linguagem lançarmos mão do instrumental do entendimento. Pelo contrário, em todo conhecimento de nós mesmos e do mundo, sempre já fomos tomados pela nossa própria linguagem É aprendendo a falar que crescemos, conhecemos o mundo, conhecemos as pessoas e por fim conhecemos a nos próprios. Aprender a falar não significa ser introduzido na arte de designar o mundo que nos é familiar e conhecido pelo uso de um instrumentário já dado, mas conquistar a familiaridade e o conhecimento do próprio mundo, assim como ele se nos apresenta.

     Um processo enigmático e profundamente oculto. É uma grande ilusão pensar que a criança fala uma palavra, a primeira palavra. Foi uma insensatez querer descobrir a linguagem originária da humanidade, isolando crianças e deixando-as crescer totalmente incomunicáveis com todos os sons humanos para depois, partindo do primeiro som articulado, querer atribuir a uma linguagem humana concreta o privilégio de ser a linguagem originária da criação. A ilusão dessas idéias consiste em buscar suspender, de modo artificial, nossa inserção real no mundo de linguagem em que vivemos. Na verdade já estamos tão habituados e inseridos na linguagem como estamos no mundo. Penso que é novamente em Aristóteles que se encontra a mais sábia descrição do processo de aprendizagem da fala2. A descrição aristotélica, no entanto, não se refere ao aprendizado da fala, mas ao pensar, isto é, à aquisição de conceitos comuns. Como é possível dar-se uma permanência na fugacidade dos fenômenos, no fluxo constante de impressões cambiantes? É certamente a capacidade de retenção, portanto a memória, que nos capacita reconhecer algo como o mesmo, e isso é resultado de uma grande abstração. Aqui e ali, a partir da fuga dos fenômenos cambiantes, começamos a perceber algo de comum e assim, aos poucos, pelos reconhecimentos que vão se acumulando e que chamamos de experiências, forma-se a unidade da experiência. Pela experiência dispomos expressamente daquilo que experimentamos, nos moldes de um conhecimento do comum. Aristóteles pergunta então: como pode realmente dar-se esse conhecimento do comum? Com certeza não é no transcurso dos fenômenos, um após o outro, que de repente o conhecimento do comum se estabelece num determinado elemento singular que reaparece e é reconhecido como o mesmo. Não é esse elemento singular, como tal, que se distingue de todos os outros pela força misteriosa de expressar o comum. Esse elemento não é diferente de todos os outros. E, no entanto, não deixa de ser verdade que em algum momento se estabelece o conhecimento do comum. Onde começou? Aristóteles apresenta uma imagem ideal para isso: Como chega a deter-se um exército em fuga? Onde começa a deter-se? Não é, com certeza, pelo fato de o primeiro soldado ter parado, ou o segundo ou o terceiro. Não podemos afirmar que o exército se detém quando um determinado número de soldados fugitivos parou de correr, nem tampouco quando o último soldado tiver parado. Não é com ele que o exército começa a deter-se; uma vez que já começou a deter-se bem antes. Ninguém pode saber, ninguém pode controlar por um plano nem pode afirmar que conhece como começa, como prossegue e como, por fim, se detém o exército, ou seja, como volta a obedecer à unidade de comando. E no entanto não há dúvida que isso ocorreu. O mesmo ocorre com o conhecimento do comum, pois na verdade trata-se do mesmo fenômeno, o surgimento da linguagem.

    2 Analíticos Posteriores, B 19, 99 b 35s.

    Em todos os nossos pensamentos e conhecimentos sempre já fomos precedidos pela interpretação do mundo feita na linguagem, e essa progressiva integração no mundo chama-se crescer. Nesse sentido, a linguagem representa o verdadeiro vestígio de nossa finitude. A linguagem já sempre nos ultrapassou. O parâmetro para medir seu ser não é a consciência do indivíduo. Não existe consciência individual que pudesse conter sua linguagem. Mas como existe então a linguagem? Com certeza não sem a consciência individual. Mas também não pela mera reunião de muitas consciências individuais.

     Nenhum indivíduo, quando fala, tem uma verdadeira consciência de sua fala. São muito raras as vezes em que alguém está consciente da linguagem que fala. Quando temos em mente dizer algo e nos vem à memória uma palavra que nos faz hesitar, que soa estranha ou cômica, nos perguntamos: "Pode-se dizer isso?" Nesse momento, a linguagem que falamos torna-se consciente, por não fazer o que é o seu próprio. E o que é o seu próprio? Creio que podemos distinguir três aspectos nessa questão.

    O primeiro é o esquecimento essencial de si mesmo que advém à linguagem. A linguagem viva não tem consciência de sua própria estrutura, gramática, sintaxe etc., portanto, de tudo aquilo que a ciência da linguagem tematiza. Uma das perversões típicas do natural aparece quando a escola moderna introduz a gramática e a sintaxe em sua própria língua materna em lugar de introduzi-la numa língua morta como o latim. Exige-se de todos um gigantesco esforço de abstração para tomar consciência expressa da gramática do idioma que se domina enquanto língua materna.

    A concretização efetiva da linguagem faz com que essa desapareça detrás daquilo que nela se diz. Uma bela experiência disso, feita por todos nós, dá-se no aprendizado de uma língua estrangeira. Pensemos nas frases paradigmáticas usadas nos manuais e cursos de idiomas. Sua tarefa é fazer
    com que se tome consciência expressa de um determinado fenômeno de linguagem. Antigamente, quando ainda se acreditava na tarefa de abstração materializada no aprendizado da gramática e da sintaxe de uma língua, figuravam frases absurdas, falando sobre César ou sobre o Tio Carlos, por exemplo. A tendência moderna de transmitir informações interessantes sobre o país estrangeiro por via dessas frases paradigmáticas tem um efeito colateral indesejado, a saber, à medida que o conteúdo da frase ganha interesse a sua função paradigmática se obscurece. Quanto mais vivo o
    ato de linguagem, tanto menos consciência temos dele. Assim, o esquecimento de si próprio da linguagem nos mostra que o seu verdadeiro sentido é o que nela se diz, o que constitui o mundo comum, onde vivemos e onde se insere também a grande corrente da tradição, que nos alcança por meio da literatura de línguas estrangeiras, vivas ou mortas. O verdadeiro sentido da linguagem é aquilo que adentramos quando a ouvimos: o dito.

     A meu ver, um segundo traço essencial do ser da linguagem é a ausência de um eu. Quem fala uma língua que ninguém mais compreende simplesmente não faia. Falar significa falar a alguém. A palavra quer ser palavra que vai ao encontro de alguém. Mas isso não significa apenas que a coisa em questão, referida pela palavra, se apresente diante de mim, mas que se apresenta também àquele a quem eu falo.

     Nesse sentido, o falar não pertence à esfera do eu, mas à esfera do nós. Assim, damos razão a Ferdinand Ebner, por ter acrescentado o subtítulo de Pneumatologische Fragmente(Fragmentos pneumatológicos) ao seu importante escrito Das Wort und die geistigen Realitäten (A palavra e as realidades espirituais). Pois a realidade espiritual da linguagem é a realidade do Pneuma, do espírito, que une eu e tu. Como já se observou desde há muito, a realidade do falar consiste no diálogo. Em todo diálogo, porém, vige um espírito; bom ou mau, espírito de enrijecimento, paralisação ou um espírito de comunicação e intercâmbio fluente entre eu e tu.

     Já demonstrei em outro lugar que a forma em que se realiza todo diálogo pode ser descrita a partir do conceito de jogo3. Para isso é necessário livrar-se de um hábito de pensar que define a essência do jogo a partir da consciência do jogador. Essa definição do jogador popularizada por Schiller apreende a verdadeira estrutura do jogo apenas em sua aparência subjetiva. Jogo é, na verdade, um processo dinâmico (cinético) que abarca os jogadores ou o jogador. Quando falamos de jogo do navio ou de jogo cênico4 ou do livre jogo das articulações, não se trata de uma mera metáfora. Pelo contrário, a fascinação do jogo para a
    consciência que joga repousa justamente nessa saída extática de si próprio para um nexo dinâmico que desenvolve sua própria dinâmica. Dá-se jogo quando o jogador individual leva a sério o jogo, isto é, quando entra seriamente no jogo, sem considerar-se apenas um jogador. Às pessoas que não conseguem isso, dizemos que não conseguem jogar. Penso que a estrutura fundamental do jogo de estar impregnado de seu espírito - espírito de leveza, de liberdade, do prazer do logro - e, nisso impregnar o jogador é aparentada com a estrutura do diálogo, onde se dá a linguagem real. A vontade de o indivíduo reservar-se ou abrir-se já não é determinante par a o modo de entrarmos em diálogo mútuo e de sermos levados por ele. O determinante é a lei da coisa que está em questão (Sache) no diálogo, que provoca a fala é a réplica e acaba conjugando a ambas. Assim, quando se dá o diálogo sentimo-nos plenos. O jogo da fala e da réplica prolonga-se para um diálogo interior da alma consigo mesma, como Platão já havia tão bem qualificado o pensamento.

     Conjugado com isso aparece o terceiro aspecto, que gostaria de chamar de universalidade da linguagem. A linguagem não constitui um âmbito fechado do que pode ser dito ao lado de outros âmbitos do indizível, mas ela é omniabrangente. Uma vez que o simples ter em mente já se refere a algo, não há nada que se subtraia fundamentalmente à possibilidade de ser dito. A possibilidade de dizer avanço em deter-se por causa da universalidade da razão. Todo diálogo possui, portanto, uma infinitude interna e não acaba nunca. O diálogo é interrompido, seja porque os interlocutores consideram já ter dito o suficiente, seja por não terem mais nada a dizer. Toda interrupção desse diálogo guarda, por sua vez, uma referência interna à retomada do diálogo.

    3 Verdade e método, vol. I, p. 7O4s.
    4 Original: wenn wir von dem Spiel der wellen oderspielden Mücken.sprechen.


     Fazemos essa experiência, às vezes de maneira dolorosa, quando nos exigem um enunciado ou uma declaração. A pergunta que se deve responder - pense-se no exemplo extremo do interrogatório ou da declaração diante de um tribunal - é como uma barreira que se ergue contra o espírito da linguagem que quer expressar-se e dialogar ("Aqui falo eu" ou "Responda à minha pergunta!"). Tudo que é dito não tem sua verdade simplesmente em si mesmo, mas remete amplamente ao que não é dito. Todo enunciado é motivado, isto é, a tudo que é dito podemos perguntar com razão: "Por que dizes isso?" Um enunciado só consegue tornar-se compreensível quando no dito compreende-se também o não dito. Sabemos isso sobretudo pelo fenômeno da linguagem. Uma pergunta da qual não sabemos a motivação não pode ser respondida. Pois é só a história da motivação da pergunta que abre o âmbito a partir do qual pode-se procurar e dar uma resposta. Assim, tanto no perguntar quanto no responder dá-se um diálogo infinito em cujo espaço se dão palavra e resposta. Tudo que é dito encontra-se nesse espaço.

    Podemos esclarecer isso através de urna experiência comum a todos nós. Trata-se da tradução ou da leitura de traduções de línguas estrangeiras. O que o tradutor tem diante de si é um texto de linguagem, isto é, algo dito oralmente ou por escrito que ele deve traduzir para a própria língua. Ele está ligado ao texto que tem diante de si e não pode simplesmente transportar o material da língua estrangeira para sua própria língua sem transformar-se ele próprio no sujeito que diz. Isso significa porém que ele deve conquistar em si próprio o espaço infinito do dizer que corresponde ao que é dito na língua estrangeira. Todos sabemos que é uma tarefa difícil. Sabemos como a tradução unidimensionaliza o que é dito na língua estrangeira. Cria-se uma dimensão em que o sentido das palavras e a forma das frases da tradução imitam o original, mas não se cria espaço para a tradução. Falta-lhe aquele terceiro plano onde o que é dito originalmente, isto é, o que é dito no original se sustenta em seu âmbito de sentido. É uma barreira inevitável para todas as traduções. Nenhuma tradução pode substituir o original. Engana-se quem pensa que a simples projeção no nível da superfície daquilo que é enunciado no originai deveria facilitar a compreensão da tradução. Isso não acontece por ser impossível traduzir o que no original está como pano de fundo ou nas entrelinhas. Se imaginarmos que essa redução a um sentido simplificado poderia facilitar a compreensão, enganamo-nos. Nenhuma tradução é tão compreensível como O original. O sentido multirrelacional do que é dito - e sentido significa sempre sentido direcional - vem à fala apenas na originalidade do dizer; na repetição e na imitação ele se esvai. Por isso, a tarefa do tradutor nunca deve ser retratar o que é dito, mas colocar-se na direção do que é dito, isto é, no seu sentido, para transferir aquilo que deve ser dito para a direção de seu próprio dizer.

    Isso aparece exemplarmente naquelas traduções que deveriam possibilitar um diálogo oral, pela intermediação do intérprete, entre pessoas de idiomas diferentes. Um intérprete que se limita a reproduzir o que representam na outra língua as palavras e frases ditas por um
    dos interlocutores torna o diálogo incompreensível. O que deve reproduzir não é o que foi dito em seu sentido literal, mas o que o outro quis dizer e disse, deixando muita coisa impronunciada. O limite de sua reprodução também deve ganhar o único espaço que possibilita o diálogo, isto é, a infinitude interna que convém a todo entendimento.
    A linguagem é, pois, o centro do ser humano, quando considerada no âmbito que só ela consegue preencher: o âmbito da convivência humana, o âmbito do entendimento, do consenso crescente, tão indispensável à vida humana como o ar que respiramos. Realmente o homem é o ser que possui linguagem, segundo a afirmação de Aristóteles. Tudo que é humano
    deve poder ser dito entre nós.

    A importância da fala, escrita e leitura.

    terça-feira, 5 de maio de 2015

    Filosofia da linguagem

    O HOMEM COMO SER DE LINGUAGEM E DE PALAVRA
            
    A língua falada e escrita têm uma base cultural, pois são ligadas a uma forma de vida, uma cultura determinada. Ao mesmo tempo em que a cultura é gerada pela língua, ela também gera a língua. A língua é o “saber coletivo” fundamental de um povo. É fundamental por que com ela os grupos humanos formam sua identidade, se organizam e nomeiam atividades de sobrevivência, crenças, valores e artes. A língua é um saber coletivo dinâmico: todos nós aprendemos a língua constantemente e a ensinamos também.
             Desafio: Explique a um extraterrestre, que desconhece os objetos e as línguas da Terra, o significado da palavra “caneta”. Algumas dificuldades podem advir desta tentativa. Mostrar, descrever, gesticular, tudo isso não garante que o visitante reconheça as representações associadas ao objeto. Ele pode considerar que se trata de um objeto adorado pelos terráqueos; pode achar que a palavra caneta seja o ato de apontar alguma coisa; ou então, que seja o nome do material de que ela é feita (plástico, tinta); ou que é o nome da forma da caneta (cilíndrico); que seja a maneira de designar um ponto no espaço; pode achar que é o nome de uma dança que consiste em apontar para algo e repetir o mesmo som: “caneta, caneta, caneta”.
             As possibilidades de interpretação do extraterrestre são virtualmente infinitas. O certo é que, se no planeta dele houvesse um objeto como uma caneta, um instrumento que lá também serviria para escrever, seria mais provável que ele entendesse o significado da palavra.
             Usamos palavras que herdamos de uma cultura já consolidada. É com essas palavras que construímos nosso modo de ler e dizer o mundo.

    PLATÃO E A LÍNGUA COMO PHARMACON
             Em um diálogo escrito por Platão (428–348 aC, aproximadamente) chamado Fedro, o filósofo afirmou que a língua é como pharmacon, que significa ao mesmo tempo veneno, cosmético e remédio.
             A língua como veneno é relativa ao discurso irônico, agressivo, provocador de rupturas, discórdias e mágoas. A língua como cosmético é marcada pelo discurso superficial, que não oferece condições e fundamentos para se pensar as consequências das afirmações; é o discurso que pretende agradar e esconder conflitos, maquiando fatos. A língua como remédio pode ser associada aos discursos que ajudam os homens a compreenderem melhor a si mesmos e aos outros. A psicologia, a arte e a religião podem ser tomadas como áreas que contam com a língua como remédio.

    quarta-feira, 25 de março de 2015

    Trabalho voluntário 

    O trabalho é um conceito tão ligado à natureza e vida humanas que dificilmente paramos para refletir sobre ele. Sua valoração sofreu modificações ao longo da história - dê sua aparição no livro gênesis da Bíblia como condenação que acompanha a perda do paraíso; passando pela Grécia Antiga, onde o trabalho cabia aos escravos, ficando, os cidadãos, livres para a reflexão e a participação na vida política da cidade; atravessando a Idade Média, onde o trabalho cabia àqueles que não nasceram nobres nem seguiam a vida eclesiástica; até o início da Primeira Revolução Industrial, onde o trabalho aparecerá na forma como o conhecemos hoje, a venda da mão-de-obra para o capital - cada sociedade deu-lhe um valor ou um significado, mas nenhuma existiu sem ele.
    No capitalismo, a sociedade, a grosso modo, divide-se entre aqueles que detêm o capital e aqueles que, por só possuírem sua força de trabalho, a vendem. Assim, a noção do trabalho 'verdadeiro' sempre esteve ligada à idéia de auferir ganho com esta atividade e o trabalho voluntário, quando surgiu, foi considerado como atividade para pessoas desocupadas. Todavia, esta noção está mudando.
    A incapacidade do Estado de suprir as necessidades básicas de seus cidadãos, principalmente dos menos favorecidos, levou a iniciativa privada a assumir tarefas que antes eram consideradas exclusivas do Estado, o que se chamou de Terceiro Setor. A origem da expressão está ligada ao fato de que o Estado é considerado o primeiro setor e, por sua vez, o mercado, apenas voltado à geração de lucro, o segundo setor. Assim, organizações não governamentais e entidades filantrópicas substituem o Estado naquilo que ele é insuficiente para prover à população e, para tanto, estas entidades necessitam de pessoas dispostas a trabalhar, não por dinheiro, mas pela satisfação de ajudarem o próximo, por solidariedade. Esta modalidade de trabalho voluntário já era comum no que se denomina de serviço religioso cujo intuito de ajudar está ligado à caridade cristã.
    O Terceiro Setor não prescinde da caridade cristã, todavia vai além, pois o trabalho voluntário busca, sempre, a satisfação de um ideal, que pode ser espiritual ou uma causa social ou ambiental. O trabalho voluntário é a solidariedade aplicada ao próximo, que não busca uma retribuição material.



    O homem como ser social

    terça-feira, 17 de março de 2015

    O homem com um ser 
    O homem é um ser social, já que depende do outro para viver e também, porque o outro pode influenciar na maneira como se convive com si mesmo e com aquilo que se faz. O homem é fraco para viver sozinho? Sabe-se que alguns ainda não aprenderam a viver em sociedade e ainda estão acordando para o fato de que conviveu, isso significa levar em consideração o semelhante com todas as suas características próprias. “ A Política” de Aristóteles “O home como um ser social” 
    Exercícios da apostila: 
    1. a) “ Nasceu é ao mesmo tempo nascer do mundo e nasceu no mundo”. Merleau- Ponty quis demonstrar nessa frase, que nascer não é uma dadiva e sim uma conquista
     b) “Nunca há determinismo e nunca há escolha absoluta, nunca sou coisa e nunca sou consciência nua” O home nasce aberto ao mundo com um campo de possibilidades, mas ao mesmo tempo ele é limitado por esse mesmo mundo. Assim, não há determinismo ne escolha absoluta.
     c) “Sou livre, não a despeito ou aquém dessas motivações, mas por seu meio”. Merleau Ponty quis demonstrar nessa frase, o livre arbítrio para fazer o que quiser, desde que isso não prejudique o próximo.


    1) Para Merleau-Ponty, a liberdade não é uma dádiva, mas sim uma conquista, realizada pelo homem no mundo (através da ação do homem no mundo). Não se pode dizer que há uma liberdade absoluta, a liberdade é a possibilidade de superar uma situação de fato. “Nascer é ao mesmo tempo nascer do mundo e nascer no mundo.
    http://suelymonteiro.blogspot.com/2011/03/liberdade-em-merleau-ponty.html

    2) “Nunca há determinismo e nunca há escolha absoluta, nunca sou coisa e nunca sou consciência nua” (Merleau-Ponty)
    O homem nasce aberto ao mundo, com um campo de possibilidades disponíveis, mas ao mesmo tempo ele é limitado por esse mesmo mundo. Assim não há determinismo, e nem escolha absoluta. É impossível que o homem seja livre em algumas ações e determinado em outras. O homem nunca é somente coisa e nunca somente consciência pura. O homem não pode ser determinado do exterior, porque para que algo pudesse determinar o homem seria necessário que ele fosse uma coisa.


    3) Nesta questão podemos colocar em conta 2 pensamentos.

    1º: Classes mais carentes que não tem contato as tecnologias e as classes mais ricas que estão todo o tempo conectados. Porem este pensamento é mais antigo e hoje temos diversas maneiras para fazer com que esse recurso chegue também aos mais necessitados como redes wifi livres e ate mesmo ONG que tem salas de computadores disponíveis.
    Em suma, a internet passa a deixar de ser uma peneira e se torna uma janela para o conhecimento.
    2º: Pessoas que por terem começado a mexer agora na internet tem mais difuldades do que aqueles em que o contato iniciou-se cedo, conhecidos como geração Y, nessa era digital.






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